Você sabia que no dia 20 de setembro é comemorado o dia do Marechal Eduardo Gomes, o Patrono da Força Aérea Brasileira? O Estratégia Militares trouxe para você a história desse militar e como ele se tornou o patrono da FAB!

Da juventude ao militarismo

Eduardo Gomes nasceu na cidade de Petrópolis (RJ), em 20 de setembro de 1896. Foi filho de Luís Gomes Pereira e de Jenny de Oliveira Gomes. Seu pai foi Oficial da Marinha, porém, depois de 18 anos de serviço militar, abandonou a carreira para se dedicar à construção de uma ferrovia e, posteriormente, trabalhou como redator no Jornal do Brasil.

Sua mãe era bisneta de Nicolau de Campos Vergueiro, político da época do Império. Seu bisavô paterno, Félix Peixoto de Brito e Melo, lutou pela independência do Brasil e nas revoluções de 1824, também conhecida como Confederação do Equador, e em 1848, na Revolução Praieira, ambas em Pernambuco. 

Na escola, Eduardo Gomes recebeu o apelido de “matemático” devido ao seu bom desempenho nas áreas de exatas. Após terminar o ensino médio, tentou por três vezes o ingresso na Escola Militar, o que conseguiu em 1916. Lá, tornou-se amigo de Siqueira Campos, com quem participaria de grandes eventos históricos no futuro.

Em dezembro de 1918, foi declarado Aspirante-a-Oficial na arma de artilharia, pelo Exército Brasileiro, e designado para servir no 9º Regimento de Artilharia em Curitiba (PR). Em 1922, ingressou na primeira turma do Curso de Observador Aéreo de Artilharia, no Campo dos Afonsos (RJ).

Eduardo Gomes e os “18 do Forte”

Em 1922, a oposição dos militares ao Presidente da República Epitácio Pessoa era crescente. A eleição de seu sucessor, Artur Bernardes, e a utilização das tropas do Exército, pelo governo federal, para interferir e privilegiar a eleição de Epitácio Pessoa como governador do Maranhão foram o ápice para os oficiais.

O fechamento e a prisão do Marechal Hermes da Fonseca, então presidente do Clube Militar, fez eclodir o levante. Eduardo Gomes, Siqueira Campos, quatro oficiais e treze soldados, saem do Forte de Copacabana pela avenida Atlântica e lutam contra 4 mil integrantes das tropas do governo.

O embate causou um grave ferimento no fêmur esquerdo de Eduardo Gomes. A revolta do Forte ocasionou o início das revoltas militares, que predominaram entre os tenentes, contra o governo de Artur Bernardes.

Eduardo Gomes foi julgado e condenado por liderar o movimento, mas, dois dias antes de ser preso, fugiu para o Mato Grosso, no município de Três Lagoas. Refugiado, passou a trabalhar como professor, usando uma identidade falsa.

Marechal Eduardo Gomes na Revolta  dos 18 do Forte
Fonte: “Divulgação. Wikimedia Commons”

A revolução paulista

Também conhecido como o “Segundo 5 de julho”, a revolução foi marcada exatamente na mesma data que a revolta dos “18 do Forte”. Eduardo Gomes chegou a São Paulo em 1º de julho para se juntar à revolução paulista.

Dias após o início, os revolucionários se encontraram reprimidos pelas tropas federais e paulistas. Eduardo Gomes, porém, com objetivo de informar a população a situação dos militares revoltosos, decidiu lançar cerca de 30 mil manifestos revolucionários sobre os quartéis da Vila Militar (RJ).

Além disso, planejou lançar uma bomba sobre o palácio do Catete, a sede do governo federal. No entanto, durante o voo sobre a cidade de Guaratinguetá, o avião apresentou falhas no motor e efetuou um pouso de emergência na cidade.

Após ludibriar a polícia local, fugiu com o piloto da aeronave para o Rio de Janeiro, onde se refugiou na casa de um tio.

No final de 1924, decidiu ir para o Sul do país, se aliar às forças lideradas pelo capitão Luís Carlos Prestes, mas foi preso em Santa Catarina.

Eduardo Gomes e os movimentos políticos-militares

Com a eleição de Washington Luís, em 1926, para a Presidência da República, Eduardo Gomes foi posto em liberdade condicional.

Em 1927, sob nova ameaça de prisão, Eduardo Gomes fugiu para a cidade de Campos (RJ), onde trabalhou como engenheiro em uma fazenda com identidade falsa. Lá, participou da construção de um trecho da estrada de ferro na linha Campos-Cardoso Moreira.

Ainda no mesmo ano, foi criada a arma de aviação do Exército, a qual recebeu os oficiais que já eram diplomados como pilotos-aviadores ou como observadores aéreos. Eduardo Gomes, que era observador, a pedido de amigos foi transferido para a nova arma.

Em 1930, participou do movimento originado no 12º Batalhão de Infantaria, em Belo Horizonte, que culminou na deposição de Washington Luís e na ascensão de Getúlio Vargas ao poder.

A partir daí, Gomes recebeu a anistia do seu envolvimento nos movimentos revolucionários e teve um rápido desenvolvimento na carreira militar, sendo promovido a Capitão e a Major em um intervalo de 10 dias.

O Correio Aéreo Nacional – CAN

Em 1931, foi criado, no Campo dos Afonsos, o Grupo Misto de Aviação, com militares e materiais da Escola de Aviação Militar. Eduardo Gomes, que possuía apenas o curso de observador aéreo, completou o curso para a pilotagem militar.

No mesmo ano, Gomes propôs ao então ministro da Guerra que o Grupo de Aviação fosse utilizado no serviço de correio aéreo, a fim de fortalecer a unidade nacional e para desenvolver o intercâmbio entre as diferentes regiões do país e a aviação.

A ideia foi aceita e logo foi criado o Serviço Postal Aéreo Militar (SPAM),  posteriormente denominado como Correio Aéreo Militar (CAM). A primeira viagem foi entre o Rio de Janeiro e São Paulo. No mês de agosto de 1931, o militar assumiu a função de Comandante do grupo Misto de Aviação.

Com a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, os serviços do Correio Aéreo Militar foram interrompidos e Eduardo Gomes, que pela primeira vez se punha a favor do governo federal, comandou as tropas do Destacamento de Exército do Leste no Vale do Paraíba (SP).

Terminado o conflito, retornou ao cargo de comandante do Correio Aéreo Militar e estendeu as operações do CAM por todo o país.

A revolta comunista de 1935

Em novembro de 1935, o Partido Comunista do Brasil (PCB), em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL), fez eclodir os levantes nas cidades de Natal e Recife. No Rio de Janeiro, aconteceu o levante no 3º Regimento de Infantaria da Praia Vermelha e envolveu, também, a Escola de Aviação Militar, algo inesperado por Eduardo Gomes.

Os revoltosos tomaram a maior parte das instalações do 1º Regimento de Aviação e isolaram Eduardo Gomes, no prédio do comando. A luta causou um ferimento na mão de Gomes por um tiro de fuzil.

A chegada das tropas do Regimento Andrade Neves, do Exército Brasileiro, afugentou os revoltosos e impediu o crescimento do levante. Gomes permaneceu como comandante do 1º Regimento de Aviação até 1937, quando Vargas instalou o Estado Novo. Por ser contrário à ditadura, Gomes pediu sua exoneração.

Eduardo Gomes e a Força Aérea Brasileira

Em 20 de janeiro de 1941, foi criado o Ministério da Aeronáutica, pela fusão da aviação do Exército com a aviação da Marinha. No mesmo ano, foi criada a Diretoria de Rotas Aéreas e, subordinado a ela, foi criado o Correio Aéreo Nacional (CAN). Eduardo Gomes manteve-se na chefia do Serviço de Rotas e Bases Aéreas.

Em 10 de dezembro de 1941, Gomes é promovido ao posto de Brigadeiro-do-Ar e é designado Comandante das I e II Zonas Aéreas, sediadas em Belém e em Recife.

Com a Segunda Guerra Mundial, o Brasil tornou-se o centro das atenções da Força Aérea dos Estados Unidos. O governo brasileiro, juntamente com a empresa aérea privada Panair do Brasil S.A. e a Força Aérea Brasileira, iniciaram a construção e a modernização dos aeroportos de Amapá, Belém, São Luiz, Fortaleza, Natal, Recife, Maceió e Salvador.

Esses aeroportos – principalmente os de Fortaleza, Natal e Recife – foram considerados os maiores do mundo na época, o que levou o governo dos Estados Unidos a instalar bases da aviação militar norte-americana no Brasil.

O governo dos EUA queria administrar essas bases juntamente com o Brasil, porém Eduardo Gomes era totalmente contra, pois, segundo ele, feria gravemente a soberania nacional. Devido à sua resistência, a medida não se concretizou. Foi destinado aos norte-americanos apenas a utilização das bases aéreas e não sua administração.

Marechal Eduardo Gomes
Fonte: “Divulgação. Wikimedia Commons”

Em 1944, o Brigadeiro Eduardo Gomes presidiu a cerimônia de substituição do esquadrão norte-americano pelo brasileiro. No mesmo ano, foi promovido a Major-Brigadeiro e agraciado pelos norte-americanos com a medalha Legião do Mérito Americano.

Em 1954, assumiu o cargo de Ministro da Aeronáutica no governo de Café Filho, onde ficou até 1956, quando Juscelino Kubitschek tornou-se Presidente da República. Em 1960, passou para a reserva remunerada como Marechal-do-Ar.

Em 1965, reassumiu o cargo de Ministro da Aeronáutica no governo Castelo Branco. Nessa gestão, o Marechal Eduardo Gomes criou a Aviação Embarcada, solucionando o impasse entre a FAB e a Marinha quanto à operação de aeronaves de asa fixa no navio-aeródromo Minas Gerais.

O Marechal Eduardo Gomes deixou o Ministério da Aeronáutica ao final do governo Castelo Branco, no dia 15 de março de 1967, dando por encerrada sua vida pública.

No dia 12 de junho de 1981, foi realizada uma cerimônia comemorativa ao cinquentenário do Correio Aéreo Militar, no Campo dos Afonsos. Essa foi a última aparição pública do Marechal.

No dia seguinte, 13 de junho de 1981, o Marechal Eduardo Gomes faleceu no Rio de Janeiro. Ele era solteiro e não deixou filhos. O governo federal fez uma homenagem póstuma, por lei, ao Marechal, proclamando-o como Patrono da Força Aérea Brasileira, em 1984.

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Referências

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